Os nitratos são moléculas que no nosso organismo podem aumentar a produção de óxido nítrico (NO) e estão relacionados com efeitos positivos na performance e na saúde. Eles ajudam a reduzir a pressão arterial (PA), aumentam a vasodilatação, preservam os estoques de creatina fosfato (PCr) e reduzem o custo de O2 durante o exercício (KERKSICK et al., 2018).
Podemos ingerir nitratos através do nitrato de sódio ou através da ingestão do suco de beterraba, popularizado no meio esportivo. A beterraba é rica em nitrato inorgânico, que quando consumido é convertido em nitrito bioativo (NO2) em grande parte por bactérias anaeróbicas facultativas na superfície dorsal da língua (JONES, 2014).
Após a ingestão, uma parte do nitrito da saliva é metabolizado a NO localmente, no meio ácido do estômago, enquanto que a outra parte é absorvida intacta para aumentar nitritos plasmáticos circulantes. Em seguida, o nitrito entra então na circulação sistêmica e nos vasos sanguíneos, coração e músculo esquelético e é reduzido para formar NO. A redução de nitrito para NO é facilitada por hipóxia e baixo pH, condições que podem estar presentes durante o exercício (JONES, 2014).
O óxido nítrico (NO) é uma molécula gasosa que desempenha um papel fundamental em vários mecanismos regulatórios essenciais para a vida humana, como vasodilatação, respiração mitocondrial, homeostase de glicose e cálcio, contração muscular e mais.
A ingestão do nitrato aumenta a produção de NO e a vasodilatação, sendo que isso melhora a entrega de oxigênio ao músculo ativo, reduzindo o custo de oxigênio no treinamento, no qual esse efeito retarda a fadiga.
A maior disponibilidade de NO pode aumentar positivamente o fornecimento de oxigênio e nutrientes para o músculo em atividade, reduzindo o custo de energia durante produção de força contrátil muscular e os custos de oxigênio durante a prática de exercícios aeróbios. Os mecanismos atribuídos a esses efeitos estão ligados à respiração e biogênese mitocondrial (STAMLER; MEISSNER, 2001).
De acordo com o meta-análise de Gao e colaboradores (2021), os principais benefícios incluem uma maior economia de oxigênio em exercícios submáximos e melhorias no desempenho em atividades de alta intensidade, como testes contrarrelógios e testes de time-to-exhaustion. Esses efeitos estão relacionados à conversão do nitrato em óxido nítrico, que promove vasodilatação, melhora do fluxo sanguíneo e maior eficiência na contração muscular.
Indivíduos menos treinados demonstraram maior resposta à suplementação, enquanto atletas de elite apresentaram benefícios mais sutis, possivelmente devido à já elevada eficiência fisiológica.
Dados recentes de meta-análises sugerem que o nitrato é mais eficaz em exercícios que duram entre 2 e 10 minutos, embora haja evidências de que ele beneficia o desempenho de exercícios contínuos que duram até cerca de 30 minutos.
O nitrato pode melhorar o desempenho quando suplementado de forma aguda ou crônica em doses > 5 mmol (> 310 mg), com a última dose ingerida ≥ 120 minutos antes do exercício. Um recente consenso de Delphi publicado por Shannon et al. sugere que consumir 8 a 16 mmol de forma aguda ou 4-16 mmol de forma crônica 2-4 horas antes do exercício parece produzir efeitos positivos no desempenho físico.
Finalmente, no que diz respeito aos fatores intervenientes, o uso de enxaguante bucal antibacteriano pode reduzir a diversidade de bactérias na cavidade oral, prejudicando a redução de nitrato a nitrito e possivelmente atenuando seu potencial efeito ergogênico. Além de seu potencial ergogênico, a ingestão de nitrato pode reduzir a pressão arterial sistêmica e melhorar a função vascular em indivíduos com hipertensão, bem como aumentar a tolerância física em pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica, doença arterial periférica e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
A dose para aumentar a performance fica entre 4 a 10 mg/kg em torno de 2 horas antes do exercício, pois o pico de nitrato no sangue ocorre entre 90-150 minutos após a ingestão de suco de beterraba. A ingestão de nitrato na pode ser feita na forma de ingestão de vegetais, principalmente a beterraba, consumida na refeição pré-treino ou através da suplementação.